Estudo do Conselho Mundial da Energia (WEC) destaca os grandes desafios do sistema de energia da América Latina e Caribe

Conclusões sobre os Cenários da Energia Mundial a serem discutidos no evento do WEC na Colômbia, hoje

Bogotá, Colômbia, 31 de março de 2014: As regiões da América Latina e do Caribe precisam otimizar suas fontes de energia a nível nacional e regional para suportar as necessidades de suas crescentes economias e população, de acordo com o relatório do Conselho Mundial da Energia (WEC) a ser apresentado hoje em um evento organizado pelo comitê  de membros colombianos do WEC (COCME).

O relatório, “Cenários da Energia Mundial: Compondo o futuro da energia em 2050”, relata que ir ao encontro do aumento na demanda de energia na América Latina e Caribe (LAC) será um desafio significativo.

“Nosso estudo revela que, mesmo na melhor das hipóteses, o aumento do fornecimento de energia na região ainda será insuficiente para atender a crescente demanda de energia associada ao crescimento econômico,” afirma o Professor Karl Rose, Diretor Sênior no estudo do WEC, que apresenta as conclusões hoje no evento do WEC na Colômbia.

O relatório avalia dois cenários com políticas contrastantes.

No cenário Jazz, existe um foco maior no consumidor para acessar a energia a preços razoáveis e com qualidade de fornecimento com o uso de fontes de energia de melhor disponibilidade. Sob esse cenário, em 2050, a economia da região LAC será 4,5 vezes maior do que em 2010 (em termos de trilhões de US$ do PIB, em estimativa de 2010), enquanto que o fornecimento de energia primária total crescerá 2,3 vezes.

No cenário Sinfonia, há um consenso  em direcionar a sustentabilidade ambiental e a segurança de energia por meio de práticas e políticas coordenadas. Nesse cenário, em 2050, a economia regional dos LAC terá um crescimento menos significativo, perto de 3,8 vezes, enquanto que o fornecimento de energia primária total crescerá perto de 1,8 vezes.

Ao comentar as conclusões do relatório, Karl Rose afirma que otimizar a estrutura do mercado de energia da região será crucial para preencher esta lacuna entre demanda e fornecimento.

“A região da América Latina e Caribe possui um mercado de energia fragmentado,” diz ele. “Essa fragmentação tem impossibilitado o uso efetivo dos recursos de energia a nível nacional e em toda a região, e tem comprometido a competitividade dos mercados de energia nacionais.”

“A região continuará a lutar contra os problemas de fornecimento de energia a menos que medidas concretas sejam tomadas para integrar os mercados de energia,” afirma.

Para atender a demanda futura de energia somente em eletricidade, será necessário um  investimento de aproximadamente US$1,33 trilhões, cumulativos a partir de 2010 a 2050.

O estudo revela também que, na América Latina, as grandes hidrelétricas continuarão a dominar o mix energético até 2050, e que o principal desafio será a construção da infraestrutura necessária para atender a demanda futura.

Globalmente, o estudo prevê uma duplicação na demanda de energia em 2050, guiado pelo crescimento dos países não-participantes da OCDE. Para atender essa demanda, o fornecimento de energia primária total terá de aumentar entre 27% e 61% (veja o gráfico abaixo).

José Antonio Vargas Lleras, vice-presidente do Conselho Mundial da Energia para a região LAC e oriundo da Colômbia, comenta: “Assim como no restante do mundo, o setor de energia da América Latina e Caribe está enfrentando desafios e incertezas sem precedentes.”

“Os cenários Jazz e Sinfonia do WEC mostram que, apesar das variações nas prioridades regionais e soluções, a mensagem global comum é como a escolha de uma solução política ou outra pode impactar significativamente o setor de energia. Fica claro que é necessário realizar desde já uma ação conjunta urgente entre governantes e indústria, de modo a atender nossos desafios comuns,” acrescenta.

O Conselho Mundial da Energia conduzirá um estudo mais detalhado sobre a América Latina com a análise de países selecionados.  O impacto da água como um recurso escasso e o papel da hidrelétrica em grande escala na região estão entre os temas que serão examinados em profundidade.  Os resultados serão publicados durante a Assembleia Executiva Anual do WEC, que acontecerá neste outubro em Cartagena, Colômbia.

O anúncio de hoje coincide com a nomeação de amanhã de Cristina Morales como nova Coordenadora para a região LAC do WEC. A Sra. Morales, também da Colômbia, assitirá a José Antonio Vargas Lleras no fortalecimento do alcance e atividades do WEC na região.

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As conclusões completas do estudo sobre os Cenários da Energia Mundial estão disponíveis gratuitamente no site do Conselho da Energia Mundial: www.worldenergy.org/publications.

 

NOTA DOS EDITORES

Sobre Conselho Mundial da Energia

O Conselho Mundial da Energia (CME) é a principal rede independente de líderes e profissionais da energia que promove um sistema energético acessível, estável e ambientalmente responsável, para o maior benefício de todos.

Constituído em 1923, o Conselho Mundial da Energia é uma organização energética global, reconhecida pelas Nações Unidas, e representativa de todas as vertentes do sector energético, com mais de 3000 organizações afiliadas, localizadas em mais de 90 países e provenientes de governos, empresas estatais e privadas, universidades, ONGs e entidades relacionadas com a energia.

O Conselho Mundial da Energia contribui para as estratégias nacionais, regionais e globais de energia, através da organização de eventos de alto nível, da publicação de estudos de referência e do trabalho da sua extensa rede de comités membros, para promover o diálogo de política energética a nível mundial.

Os comités membros do CME na região América Latina e Caraíbas incluem, presentemente: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Paraguai, Peru, Trindade e Tobago, e Uruguai. O México é também membro, integrando o grupo regional da América do Norte.

Informações adicionais em  www.worldenergy.org  e @WECouncil  

 

Sobre os Cenários da Energia Mundial

O relatório do WEC, “Cenários da Energia Mundial: Compondo o futuro da energia em 2050”, avalia a direção futura de todo o setor de energia. As conclusões do estudo são os resultados de três anos de estudo conduzido por mais de 60 especialistas de aproximadamente 30 países, com modelo fornecido pelo Paul Scherrer Institute, o maior centro de pesquisas para ciências naturais e de engenharia da Suíça. Os Cenários do WEC utilizam uma abordagem exploratória para avaliar o que realmente está acontecendo no mundo atualmente, para ajudar a estimar o que acontecerá no futuro e o real impacto das escolhas de hoje no panorama da energia de amanhã.